| NOTÍCIA |
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Carta de Um Brasileiro Indignado ao Presidente Lula Ilmo. Sr. Presidente "Lula" Meu nome é Celso Amodeo, sou médico cardiologista e nefrologista do Instituto Dante Pazzanese de São Paulo. Por quatro anos, por meio de cargo diretor que exerci na Sociedade Brasileira de Cardiologia e Nefrologia, trabalhei junto com o Ministério da Saúde no assessoramento da organização do plano de reorganização ao atendimento do hipertenso e diabético no Brasil. Trabalho intenso e sério que no ano de 2003 praticamente ficou parado!!! Mas o que me leva a escrever a V.Sa. é outro assunto. Como o Sr., eu venho de família muito pobre. Meu pai era operário e trabalhou a vida toda para sustentar 5 filhos e formá-los todos. Tive o privilégio de me graduar médico e me especializar em Cardiologia. Fui para os Estados Unidos me aperfeiçoar em hipertensão arterial. Lá, acabei tirando minha licença de médico e fiz uma nova especialização em nefrologia pois precisava de mais conhecimentos para poder tratar adequadamente os pacientes hipertensos (a pressão alta afeta principalmente o coração e os rins, além do cérebro). Tive oportunidade de ficar nos Estados Unidos com boa oferta de trabalho. Mas com a idéia de que seria mais útil em nosso país, resolvi voltar. Aqui, me empolguei com o fato de me tornar um líder de opinião em hipertensão arterial e no início comecei a trabalhar somente em hipertensão. Até que um dia, um paciente do serviço de diálise do Instituto Dante Pazzanese (Sr. Darcy, que já faleceu) veio até mim e, de joelhos, me disse: "Deus lhe deu a oportunidade de estudar e se aperfeiçoar. Sei que você estudou diálise e transplante renal. Por favor, não se esqueça de nós, pobres que sofremos de doenças nos rins". A partir daquele dia decidi estruturar um serviço de diálise e transplante de rins na nossa instituição (especializada em coração). Foram anos de trabalho intenso mas hoje temos cerca de 250 transplantes renais feitos somente para pobres, pelo SUS. Continuamos com tal programa, apesar de todas as dificuldades. Quanto a diálise, organizamos um serviço para 80 pacientes e atendemos única e exclusivamente pacientes do SUS. Nunca tive lucro nesse serviço porém não tivemos prejuízo pois o serviço acabava se pagando (vale lembrar que os serviços que permitem uma margem de lucro modesta em São Paulo, são aqueles que apresentam pelo menos 30% de convênios além do SUS) e assim nós acabávamos cumprindo aquela proposta social que traçamos em nossa vida. Hoje a situação se modificou muito. Com a municipalização da saúde os serviços de diálise ainda não receberam os pagamentos de outubro. A previsão é para depois de 22 de janeiro. Passamos então a ter de recorrer a empréstimos bancários para honrar pelo menos aquilo que considero de mais sagrado: o salário dos 21 funcionários que trabalham em nossa clínica. Quanto a décimo terceiro, não pagamos e não temos previsão de quando isso será possível. Apesar de insistente solicitação, a Prefeitura de São Paulo dizia que não podia fazer nada pois o dinheiro ainda não tinha saído de Brasília. Resolvi então apelar para A Folha de São Paulo e expor a situação para ver se as nossa autoridades pudessem fazer algo a respeito. Para minha surpresa, na reportagem da Folha de São Paulo de 02/01/04 intitulada "Atrasado no pagamento ameaça serviços de diálise em São Paulo" o Dr Solla fala sobre alta lucratividade dos serviços de diálise!!!! O secretário continua com a visão regional que tem de Feira de Santana, aonde uma sessão de hemodiálise custa de 6 a 8 vezes mais barato que em São Paulo. Convido qualquer um do Ministério da Saúde a vir a São Paulo e avaliar a lucratividade (que hoje é praticamente zero) dos serviços de diálise que trabalham exclusivamente com o SUS. A Situação é crítica e portanto solicito ao nosso presidente que, "PELO AMOR DE DEUS" TOME ALGUMA PROVIDÊNCIA NESSE SENTIDO. Não sei se este meu e-mail será respondido mas continuarei insistindo pois sou um brasileiro que ainda acredito neste país (apesar de alguns brasileiros que trabalham contra). Atenciosamente Celso Amodeo
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