NOTÍCIA

GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Secretaria de Estado de Saúde
Subsecretaria de Planejamento e Desenvolvimento
Centro de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

Diretrizes para a Atenção à Doença Renal Crônica
no Estado do Rio de Janeiro

Documento aprovado na pela CIB em novembro de 2000
Comissão de Controle de Nefrologia
JUNHO DE 2001

ÍNDICE
1. Apresentação
2. Agradecimentos
3. Homenagem
4. Grupo de trabalho
5. Introdução
6. Diagnóstico da DRC no Estado do Rio de Janeiro
6.1 Distribuição Etária
6.2 Distribuição por Região do Estado
6.3 Marcadores sorológicos
7. Diretrizes para a Assistência à DRC no Estado do Rio de Janeiro
7.1 Ações destinadas a prevenir ou postergar a IRC e o tratamento dialítico
7.2 Sistema de referência
7.3 Avaliação e controle de qualidade
7.4 Sistema de Informações
7.5 Recursos Humanos
8. Financiamento
9. Transplante Renal
9.1 - Dados estatísticos

 

     1. Apresentação

O presente documento originou-se a partir da Oficina de Planejamento Estratégico realizada em 18 e 25 de agosto de 2000, ocasião em que a Comissão de Controle de Nefrologia e alguns setores da SES se reuniram com o propósito de identificar problemas e elaborar propostas objetivando a melhoria da assistência ao paciente renal crônico em nosso Estado. A Oficina faz parte do processo de Planejamento Estratégico da Secretaria de Estado de Saúde para o período 1999 - 2002, realizado em consonância com o Planejamento Estratégico do Governo do Estado.

Desta forma, constituiu-se um grupo de trabalho para a realização da Oficina, a qual gerou um relatório que, por sua vez, deu origem ao presente documento de Diretrizes para a Atenção ao Renal Crônico no Estado do Rio de Janeiro, aprovado pela CIB em novembro de 2000.

     2. Agradecimentos

Somos gratos a todos que contribuíram para a formulação deste documento, particularmente ao Dr. Valcler Rangel Fernandes, Subsecretário de Planejamento e Desenvolvimento, representante do Exmº. Secretário de Estado de Saúde, Dr. Gílson Cantarino O’Dwyer, pelo imprescindível apoio político e logístico.

Gostaríamos também de agradecer a preciosa contribuição de Cláudia Regina de Andrade Pereira (CPS/SPD/SES), Maria Lúcia Freitas dos Santos (PACS - PSF/SES) e Wagner de Jesus Martins (NIDE/SPD/SES) na realização da Oficina.

Da mesma forma somos gratos à equipe do CISA, devido ao empenho demonstrado na resolução de problemas - inerentes ao Sistema de Informações como um todo - possibilitando a correção de distorções e a atualização dos dados.

Agradecemos também à Dra. Gulnar Azevedo e Silva Mendonça, do IMS/UERJ, pelas sugestões.

     3. Homenagem

Gostaríamos de render homenagem a Augusto Nunes Barreto, ex-presidente da ARERJ, companheiro de luta, falecido em 01.01.2001.

 

     4. Grupo de trabalho

  • Alan Castro A. e Silva (SONERJ);
  • Alfredo Pereira Duarte Filho (ADRETERJ);
  • Ana Ramalho (SMS - RJ);
  • Antônia de Fátima Bernardo (SMS - RJ);
  • Augusto Nunes Barreto (ARERJ) - IN MEMORIAM;
  • Cláudia Regina de Andrade Pereira (CPS/SPD/SES);
  • Elisa de Albuquerque Sampaio da Cruz (SONERJ);
  • Gustavo Matta (Programa Rio Transplante);
  • Hídia Mara Paranhos Duboc (CDCT/SPD/SES);
  • Jorge Aquino (Programa Rio Transplante);
  • José Manuel Ribeiro dos Santos (ABCDT);
  • Júlio Lucena Ramos da Silva (ADRETERJ);
  • Juraci Vieira Sérgio (CDCT/SPD/SES);
  • Lenice G. da Costa Reis (COFISA/SES);
  • Maria Lúcia Borges Soares (Dep. de Farmácia/SES);
  • Maria Lúcia Freitas dos Santos (PACS - PSF/SES);
  • Maurício Younes Ibrahim (SONERJ);
  • Mauro Barros André (SONERJ);
  • Regina Maria Alves (SOBEN);
  • Reinaldo Chain (COFISA/SES);
  • Rizza Maria Garcia Toledo de Oliveira (SOBEN);
  • Roberto Gomes do Nascimento (SUSC/SES);
  • Valdir Sergio Ermida (CDCT/SPD/SES);
  • Vânia Rita E. Freire Bandeira (CDCT/SPD/SES).
  • CONSULTOR: WAGNER DE JESUS MARTINS (NIDE/SPD/SES).

  •      5. Introdução

    Os rins são órgãos considerados nobres para o funcionamento do organismo humano, já que a função renal assegura a manutenção da vida através da regulação da composição e do volume dos fluidos orgânicos.

    Por mecanismos diversos, a deterioração progressiva e definitiva do tecido renal culmina numa condição denominada Insuficiência Renal Crônica (IRC). Diferentes patologias presentes nas sociedades modernas são capazes de causar IRC. A incidência de Insuficiência Renal Crônica se manifesta com características epidemiológicas distintas em diferentes partes do mundo, variando entre 90 a 200 casos novos/milhão de habitantes/ano. Nas sociedades ocidentais, as causas mais comuns de IRC são a hipertensão arterial, o diabetes e as glomerulonefrites, embora outras causas como infecções, nefrotoxicidade e acidentes peçonhentos sejam importantes causas de IRC, sobretudo nos países subdesenvolvidos.

    As terapêuticas de substituição da função renal foram desenvolvidas para oferecer perspectivas de vida aos indivíduos que atingiram estágios avançados de insuficiência renal. As modalidades de tratamento de substituição da função renal incluem a Hemodiálise, a Diálise Peritoneal e o Transplante renal. Todas essas alternativas empregam tecnologias avançadas, de acompanhamento médico com periodicidade obrigatória e de custos elevados. Conseqüentemente, o desenvolvimento estratégico das terapêuticas de substituição da função renal representa um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade pois, se não tratada adequadamente, a progressão para o óbito é rápida, o que nos coloca permanentemente diante de uma situação de urgência médica.

    No Estado do Rio de Janeiro, os avanços obtidos ultimamente nessas formas de tratamento têm possibilitado um aumento considerável na sobrevida do paciente renal crônico e também de sua qualidade. Contudo, ainda há um longo caminho a percorrer até atingirmos um efetivo controle da doença.

    Existem cerca de 6500 pacientes em Terapia Renal Substitutiva em todo o Estado.
    Embora esse número seja quase o dobro daquele existente há 3 anos, acreditamos que ainda haja pacientes inadequadamente assistidos, considerando parâmetros internacionais de prevalência. A manutenção de uma assistência adequada exige do Sistema Único de Saúde uma grande capacidade de organização da rede de serviços, desde o Planejamento até o Controle e Avaliação, além de um volume de recursos considerado alto para os nossos padrões, que inclui também a vital dispensação de medicamentos excepcionais.

    O efetivo controle da Insuficiência Renal Crônica será alcançado quando conseguirmos implantar no nível da atenção básica programas que interfiram nas doenças que levam a uma perda progressiva dos rins, articulando essas ações com as formas de Terapia Renal Substitutiva existentes. A construção desse sistema vem se dando dentro de um longo processo de discussão e pactuação entre os atores envolvidos com a atenção ao doente renal crônico no Estado.

     

         6. Diagnóstico da DRC no Estado do Rio de Janeiro

    As mudanças ocorridas no Sistema de Saúde nas últimas duas décadas e, particularmente, a melhoria da qualidade na assistência no que tange à Terapia Renal Substitutiva (TRS) certamente proporcionaram uma importante mudança no perfil demográfico dos pacientes portadores de Doença Renal Crônica no Estado. Infelizmente, a construção da série histórica fica prejudicada pela ausência de um Sistema de Informações capaz de nos fornecer indicadores com nível de confiabilidade desejável. Esse fato nos levou a trabalhar com dados a partir da implantação do Sistema de Autorização de Procedimentos de Alto Custo/Complexidade - APAC (na verdade um subsistema da AIH), ocorrido em Abril de 1997. Cabe ressaltar que as informações existentes se limitam aos pacientes inseridos em alguma modalidade de terapia e incluídos no sistema APAC, excluindo-se, portanto, aqueles em tratamento conservador.

     

         6.1 Distribuição Etária

    A estrutura etária dos pacientes em TRS (Gráfico 1), apresenta um importante contingente de pessoas a partir dos 40 anos de idade. Congregando todos os pacientes a partir dessa idade, verificamos que somam 78% do total, sendo que mais da metade (55,2%) tem 50 anos ou mais:


    Fonte: CISA/SES

    Observa-se, contudo, que a maior parte dos pacientes encontra-se entre as idades de 40 e 69 anos (66,2%), o que indica que a doença acomete indivíduos ainda em idade produtiva. É, portanto, necessário que sejam produzidas e implementadas políticas voltadas para o aumento de sobrevida e de melhoria da qualidade desta, sendo imperiosa a articulação com outras políticas governamentais.

    O perfil observado acima pode e deve ainda ser transformado. Para isso será preciso uma atuação efetiva no campo preventivo, principalmente em relação à Hipertensão Arterial e ao Diabetes Mellitus, que poderá evitar e/ou retardar o aparecimento da Doença Renal Crônica.

    A atuação no campo da assistência não só aumentando a oferta de serviços, mas melhorando sua qualidade aponta como conseqüência um provável aumento da sobrevida - medido indiretamente a partir do número absoluto de pacientes (Gráfico 2), cujo crescimento assume um caráter linear. O quadro apresentado traz conseqüências diretas no que tange ao financiamento do sistema, tema que abordaremos adiante.


    Fonte: CISA/SES

     

         6.2 Distribuição por Região do Estado

    A distribuição dos pacientes segundo região do Estado (Gráfico 3) apresenta uma distribuição compatível com a distribuição populacional, fato que pode ser resultado da descentralização dos serviços de TRS no Estado.


    Fonte: CISA/SES

     

         6.3 Marcadores sorológicos

    Um aspecto bastante preocupante é o estado sorológico dos pacientes (Quadro 1). Embora seja um quadro que denote a prevalência de casos e não apenas os casos novos, o número de pacientes soropositivos, principalmente para Hepatite C, torna imprescindível que todas as normas relativas à Biossegurança e Vigilância Epidemiológica sejam rigorosamente cumpridas. Há de se ressaltar os dados referentes à Hepatite C na Baixada Litorânea, discrepantes em relação às demais regiões, o que aponta para uma possível subnotificação.

    Quadro 1 - Prevalência (%)* das principais sorologias de pacientes em Terapia Renal Substitutiva, segundo região - Fevereiro 2001.
      HIV HBsAg Hep C
    B. da I.Grande
    -
    -
    4 (22,2%)
    B. Litorânea
    1 (O,5%)
    1 (O,5%)
    -
    Centro-Sul
    -
    2 (1,9%)
    16 (14,8%)
    M. Paraíba
    1 (0,3%)
    6 (1,7%)
    63 (18%)
    Metropolitana
    51 (1%)
    137 (2,7%)
    1459 (29,4%)
    Noroeste
    2 (1,1%)
    2 (1,1%)
    47 (25,7%)
    Norte
    2 (0,6%)
    2 (0,6%)
    45 (13,2%)
    Serrana
    1 (0,3%)
    2 (0,6%)
    32 (10,3%)

    * A percentagem foi calculada em relação à população de cada região.

    Fonte: CISA/SES

     

       7. Diretrizes para a Assistência à DRC no Estado do Rio de Janeiro

    As modalidades de TRS em que os pacientes estão inseridos podem ser observadas no Gráfico 4, predominando a modalidade de Hemodiálise.


    Fonte: CISA/SES

    Quando observamos esta mesma distribuição um pouco mais detalhadamente e segundo região do Estado (Gráfico 5), observamos que nas regiões do Médio Paraíba e Norte o CAPD assume um peso diferenciado quando comparado com outras regiões. A região do Médio Paraíba se destaca, apresentando 21,7% em relação ao número total de procedimentos, contra 5,5% da região Metropolitana.

    Tal observação nos remete a uma discussão quanto à uniformidade do protocolo de indicação da modalidade recomendada a cada paciente.


    Fonte: CISA/SES

    A rede de serviços de TRS encontra-se distribuída em todo o Estado, acompanhando a distribuição dos pacientes (Gráfico 6):


    Fonte: CISA/SES

    No total, são 74 unidades distribuídas em 28 municípios (Quadro 2):

    Quadro 2 - Número de Unidades Prestadoras de Serviço em TRS, segundo município - Fevereiro/2001
    MUNICÍPIOS UNIDADES Nº PAC. P/ MUNICÍPIO
    01. ANGRA DOS REIS
    1
    18
    02. BARRA DO PIRAÍ
    1
    95
    03. BARRA MANSA
    1
    66
    04. BELFORD ROXO
    1
    93
    05. B. J. ITABAPOANA
    1
    26
    06. CABO FRIO
    1
    101
    07. CAMPOS
    2
    233
    08. DUQUE DE CAXIAS
    3
    383
    09. ITABORAI
    1
    82
    10. ITAPERUNA
    1
    87
    11. MACAÉ
    1
    107
    12. MAGÉ
    1
    92
    13. NITEROI
    7
    454
    14. NOVA FRIBURGO
    2
    71
    15. NOVA IGUAÇU
    3
    356
    16. PARACAMBI
    1
    69
    17. PARAIBA DO SUL
    1
    26
    18. PETROPOLIS
    2
    171
    19. RIO BONITO
    1
    103
    20. RIO DE JANEIRO
    32
    2976
    21. STO ANTONIO DE PÁDUA
    1
    70
    22. SÃO GONÇALO
    2
    376
    23. SÃO JOÃO DO MERITI
    1
    139
    24. TERESOPOLIS
    1
    69
    25. TRES RIOS
    1
    50
    26. VALENÇA
    1
    55
    27. VASSOURAS
    1
    32
    28. VOLTA REDONDA
    2
    134
    TOTAL
    74
    6534

    Fonte: CISA/SES

    Em consonância com as propostas de organização do Sistema Único de Saúde no Estado do Rio de Janeiro, que tem como eixo a integração regional, com ações hierarquizadas de forma a constituir uma atenção integral ao indivíduo e à coletividade, propomos as seguintes diretrizes:

     

         7.1 Ações destinadas a prevenir ou postergar a IRC e o tratamento dialítico

  • Articulação das propostas assistenciais e preventivas;
  • Fomentar a implantação de serviços auxiliares de nefrologia para suporte dos programas de hipertensão e diabetes;
  • Garantia de medicamentos específicos aos renais crônicos (tratamento farmacológico);
  • Capacitar profissionais da rede básica para acompanhar pacientes de doenças renais crônicas;
  • Elaborar programa interdisciplinar de controle da progressão das doenças renais;
  • Elaborar programa de atenção integral visando a qualidade de vida dos renais;
  • Assegurar o fornecimento dos medicamentos excepcionais;
  • Criar estratégias de orientação e aderência ao tratamento.

     

  •      7.2 Sistema de referência

  • Organização da atenção à Doença Renal Crônica incorporando a lógica da regionalização;
  • Elaborar um diagnóstico regional para subsidiar a pactuação entre os municípios;
  • Estabelecimento de um fluxo entre os níveis de complexidade com referência/contra referência;
  • Criação de ambulatórios de referência para tratamento conservador;
  • Estabelecer integração entre os gestores municipais e estadual quanto às diversas ações no âmbito de assistência ao renal: fiscalização, encaminhamento (de pacientes, de dados TRS), etc;
  • Promover pactuação entre os gestores municipais de modo a descentralizar o encaminhamento de pacientes;
  • Coordenação efetiva da SES quanto às transferências intermunicipais, garantindo agilidade;
  • Incluir nos contratos de metas dos hospitais com FIDEPS, e que possuem serviço de diálise ou nefrologia, a exigência de oferta ao SUS de ambulatório de tratamento conservador para IRC e também de leitos de internação;
  • Divulgação do plano aos gestores;
  • Articulação com os programas de hipertensão e diabetes para definição de protocolo de acompanhamento hierarquizado;
  • Prioridade de assistência a todos os pacientes dentro do município de residência;
  • Garantir a locomoção, para o tratamento, dos pacientes com deficiência deambulatória;
  • Definir referências (regionais) para realização de fístulas.

     

  •      7.3 Avaliação e controle de qualidade

  • Desenvolver plano conjunto de supervisão/auditoria entre fiscalização sanitária/auditoria de SES e SMS’s - unificar e divulgar os instrumentos de supervisão, coordenar calendários, etc;
  • Implantar Plano de Avaliação de Qualidade da assistência prestada.

    O processo contínuo de organização da assistência depende, em grande parte, das informações geradas pelo sistema. Diante disso, propomos:

     

  •      7.4 Sistema de Informações

  • Atualização e revisão permanente dos dados contidos na internet;
  • Facilitar a utilização da APAC e transformá-la em efetiva ferramenta de trabalho;
  • Aperfeiçoamento do APAC/SIA;
  • Criação do Núcleo Estadual de Avaliação, Análise e Disseminação de Informações disponíveis (APAC-SIA/SIH-SUS) sobre renais crônicos;
  • Estabelecer protocolos uniformes para facilitar a comunicação, coleta e análise dos dados;
  • Unificar a base de dados.

    Outra questão fundamental está relacionada aos Recursos Humanos, onde propomos:

     

  •      7.5 Recursos Humanos

  • Implementação de cursos de capacitação para os profissionais;
  • Estimular práticas humanizadas de acolhimento e relação profissional/paciente e interprofissional;
  • Estimular a produção, bem como promover a distribuição de materiais educativos: vídeos, manuais, etc.

     

  •      8. Financiamento

    O aumento da sobrevida e o conseqüente aumento do número de pacientes, nos coloca um problema difícil de ser equacionado, que é o financiamento. Esse processo deveu-se à incorporação de tecnologia que, se por um lado eleva a qualidade da assistência, por outro eleva o custo do procedimento. Toda essa discussão de custos e disponibilidade de recursos, aparece frente a uma situação em que não financiar significa a perda de vidas.

    O volume de recursos dispendido em TRS tem sido considerável (Gráfico 7). Vale ressaltar que esses valores se referem apenas aos procedimentos dialíticos, não incluindo os recursos destinados aos medicamentos de uso contínuo utilizados pelos pacientes .


    Fonte: CISA/SES

    Os tetos financeiros são revistos regularmente a cada 3 meses, com revisões pontuais mensais. Embora esse procedimento tenha garantido o financiamento dos pacientes incorporados ao sistema, é necessário implantar uma proposta que consiga incorporar pacientes mediante uma programação, pois hoje a grande porta de entrada dos pacientes continua sendo os Serviços de Emergência, onde os pacientes entram, regra geral, descompensados.

    Na questão do financiamento, propomos as seguintes diretrizes:

    1. Avaliar permanentemente os mecanismos de financiamento da atenção ao paciente renal crônico, estudando e elaborando sugestões de aperfeiçoamento destes sistemas, bem como o encaminhando das propostas aprovadas aos gestores;

    2. Participação da CCN na elaboração, acompanhamento e avaliação dos planos orçamentários para a DRC;

    3. Possibilitar alterações do teto para TRS de acordo com a necessidade real;

    4. Alocação de recursos baseada na taxa de crescimento e na produção apresentada, levando em consideração a regionalização;

    5. Incluir os pacientes em tratamento conservador da IRC na APAC para controle e dispensação de medicamentos;

    6. Avaliação de mecanismos de financiamento dos hospitais militares aos seus beneficiados;

    7. Vincular verba ao paciente;

    8. Proposta de metodologia de alocação de recursos financeiros com base em lógica de regionalização (organização de fluxos por intermédio de pactuações entre os gestores) e definição de protocolos.

     

         9. Transplante Renal

    O transplante renal trouxe uma nova perspectiva ao paciente renal crônico no Estado do Rio de Janeiro. As ações relacionadas ao transplante renal estão sob responsabilidade do Programa RIO TRANSPLANTE.

    O Rio Transplante é um programa da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro e foi inaugurado no dia 8 de outubro de 1997. Seu principal objetivo é implementar e coordenar o processo de transplantação de órgãos e tecidos no Estado do Rio de Janeiro, envolvendo desde a captação de órgãos e tecidos e a seleção de receptores, até o transplante propriamente dito, obedecendo aos critérios de lista única.

    Estas atividades funcionam 24 horas por dia, em regime de plantão, e são realizadas por uma equipe interdisciplinar formada por médicos, enfermeiros, psicólogo e assistente social.

    O Rio Transplante coordena e organiza as atividades dos seguintes tipos de transplante: Rim, Fígado, Coração, Pulmão, Rim/Pâncreas, Válvulas Cardíacas, Córnea, Medula Óssea e Tecido Ósseo.

    A lista única de candidatos a transplante é organizada por ordem de inscrição segundo o tipo sangüíneo do receptor e o órgão ou tecido a ser transplantado. Cada paciente inscrito para o transplante recebe um número e sua posição na lista pode ser acompanhada a qualquer momento, caracterizando a transparência e o princípio democrático e humanitário desta organização. No caso dos transplantes renais, os critérios de distribuição dos órgãos serão acrescidos, em breve, da compatibilidade HLA, o que trará maior qualidade e sobrevida aos enxertos.

    Atualmente, 2098 pacientes1 constam na Lista de Espera para transplante renal cadavérico no Estado do Rio de Janeiro. Para ingressar na lista, os paciente são encaminhados pelas Clínicas de Diálise para um dos seguintes Centros de Transplante: Hospital Universitário Pedro Ernesto, Hospital Geral de Bonsucesso, Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, Hospital dos Servidores do Estado e Hospital Universitário Antônio Pedro. Uma vez avaliados e estando aptos clinicamente, é feita a coleta do sangue para realização da tipagem HLA e armazenamento do soro para o crossmatch no Laboratório de Imunogenética do HSE. Após esse processo, os pacientes recebem um número, de acordo com o grupo sangüíneo, fazendo parte da lista única que pode ser acompanhada a qualquer momento.

    Atividades Realizadas:

    - Atividades de Captação: diariamente são realizados telefonemas para 42 hospitais do Estado do Rio de Janeiro em busca ativa de prováveis doadores. (Rastreamento);

    - Identificação e avaliação do provável doador: coleta de informações clínicas e pessoais do provável doador tais como identificação do paciente, confirmação clínica e gráfica de Morte Encefálica, controle hemodinâmico, idade, sexo, causa mortis entre outros. Estes dados, em conjunto com a visitação da equipe ao hospital comunicante e a realização de exames laboratoriais para a identificação dos marcadores virais (HBSag, HCV e HIV), constituem a avaliação clínica e legal do provável doador;

    - Abordagem à família: realizada pela equipe após avaliação clínica e legal do paciente e comunicação da Morte Encefálica à família. Esta abordagem é realizada de maneira ética, respeitando as crenças e os desejos de cada família, como recomenda o Conselho Federal de Medicina e a nova Medida Provisória editada em 06 Outubro de 1998 (MP número 1718) da Presidência da República;

    - Coordenação e acompanhamento das atividades de extração de órgãos e tecidos: após consentimento da família quanto à doação, a equipe do Rio Transplante entra em contato com as equipes cirúrgicas dos vários tipos de transplante para o início do procedimento de retirada dos órgãos e tecidos, acompanhamento e assessoramento do ato cirúrgico, e a conseqüente preservação dos órgãos;

    - Distribuição dos Órgãos e Tecidos: é realizada a distribuição dos órgãos e tecidos de acordo com os critérios de lista única para cada tipo de transplante.

    - Acompanhamento da evolução dos transplantes;

    - Criação do Corredor de Captação no município do Rio de Janeiro: como estratégia para otimizar a captação de órgãos e tecidos no município do Rio de Janeiro, foi criado um corredor de captação formado por hospitais da rede pública municipal, estadual e federal. O objetivo é implantar a função de coordenador intra-hospitalar de transplante e envidar esforços para a detecção do provável doador, bem como o cumprimento dos critérios de morte encefálica e sua manutenção hemodinâmica;

    - Nomeação dos Coordenadores Intra-Hospitalares de Transplante: foi encaminhada em 9 de junho de 2000, pela Secretaria de Estado de Saúde, a lista dos Coordenadores Intra-Hospitalares dos Hospitais de Emergência da rede pública federal, estadual e municipal, totalizando 17 unidades:

  • Hospital dos Servidores do Estado;
  • Hospital Geral de Bonsucesso;
  • Hospital Estadual Getúlio Vargas;
  • Hospital Estadual Pedro II;
  • Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro;
  • Hospital geral de Nova Iguaçu;
  • Hospital Geral de Duque de Caxias;
  • Hospital Estadual Carlos Chagas;
  • Hospital Estadual Azevedo Lima;
  • Hospital Estadual Rocha Faria;
  • Hospital Estadual Albert Schweitzer;
  • Hospital Municipal Salgado Filho;
  • Hospital Municipal Souza Aguiar;
  • Hospital Municipal Miguel Couto;
  • Hospital Municipal Lourenço Jorge;
  • Hospital Municipal do Andaraí;
  • Hospital Municipal de Jacarepaguá (C. Fontes).

    - Criação das Centrais Regionais de Busca: com o objetivo de desenvolver a atividade de captação no interior do Estado, foram criadas as Centrais Regionais de Busca, a partir da identificação de profissionais capacitados para essa atividade em cada região de governo. Atualmente, encontra-se em funcionamento as Centrais do Médio Paraíba e Centro-Sul Fluminense.

     


    1 Esse número diz respeito aos pacientes que já constavam na lista original de transplante renal cadavérico do Programa de Imunogenética e Transplante de Órgãos do Ministério da Saúde (PITO/MS), iniciada em 1986, acrescidos dos pacientes inscritos no Rio Transplante a partir de 1997. (voltar ao texto)

     

  •      9.1 Dados estatísticos

    O surgimento da sede do Programa Rio Transplante como a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) do Estado do Rio de Janeiro resultou na organização e desenvolvimento das atividades de captação e transplante, e também no registro e tratamento estatístico dessas atividades como ainda não havia sido organizada.

    Atualmente o Rio Transplante possui uma base de dados informatizada que permite avaliar os números de captações, os motivos de recusa, a caracterização das exclusões médicas, a causa mortis de doadores, a eficácia das notificações rastreadas e comunicadas, os hospitais que mais comunicam, entre outros.

    Seguindo as normas estabelecidas pelo Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, nossos computadores estão conectados via Internet com o Sistema Nacional de Transplante, para envio diário dos dados relativos às atividades de captação e transplante no Estado do Rio de Janeiro.

    Os dados apresentados abaixo são parciais em relação ao ano de 2001.

    Quadro 3 - Número de Pacientes Novos em Lista de Espera para Transplante Renal Cadavérico 1997-2001

    Ano Nº de Pacientes Novos
    1997
    275
    1998
    269
    1999
    248
    2000
    290
    2001*
    61
    Total
    1143
    *2001 - até 08 de março.
    Fonte: Rio Transplante

    Quadro 4 - Número de Transplante Renais por Tipo de Doador 1997-2001

    Ano Doador Cadáver Doador Vivo
    1997
    16
    124
    1998
    55
    128
    1999
    56
    122
    2000
    70
    180
    2001*
    7
    32
    Total
    204
    586
    *2001 - até 08 de março.
    Fonte: Rio Transplante

    Fonte: Rio Transplante

    Quadro 5 - Transplante Renal Cadavérico por Centro de Transplante - 2000

    2000 HUCFF HGB HUPE TOTAL
    JAN
    3
    2
    1
    6
    FEV
    1
    2
    2
    5
    MAR
    0
    0
    0
    0
    ABR
    1
    3
    2
    6
    MAI
    2
    2
    1
    5
    JUN
    1
    3
    2
    6
    JUL
    3
    2
    1
    6
    AGO
    5
    5
    2
    12
    SET
    5
    6
    0
    11
    OUT
    2
    3
    0
    5
    NOV
    2
    1
    0
    3
    DEZ
    2
    1
    3
    6
    TOTAL
    26
    31
    14
    71
    Fonte: Rio Transplante

    Quadro 6 - Transplante Renal Cadavérico por Centro de Transplante - 1º trimestre de 2001

    2001 HUCFF HGB HUPE TOTAL
    JAN
    2
    2
    0
    4
    FEV
    2
    1
    1
    4
    MAR
    2
    4
    1
    7
    TOTAL
    6
    7
    2
    15
    Fonte: Rio Transplante

    Quadro 7 - Transplante Renal (Doador Vivo) por Centro de Transplante - 1º bimestre de 2001

    2001 HUCFF HGB HUPE IMNE HSC TOTAL
    JAN
    8
    5
    4
    1
    0
    18
    FEV
    6
    2
    4
    1
    1
    14
    TOTAL
    14
    7
    8
    2
    1
    32
    Fonte: Rio Transplante

    Siglas

    HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho
    HGB - Hospital Geral de Bonsucesso
    HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto
    HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro
    HSE - Hospital dos Servidores do Estado
    HSVP - Hospital São Vicente de Paulo
    HSJA - Hospital São José do Avaí - Itaperuna
    Dr. Beda - Campos dos Goytacazes

    Como diretrizes relacionadas ao transplante renal, propomos:

  • Organizar eventos de incentivo à doação e transplante de orgãos nas diversas instituições sociais;

  • Organização e implantação dos coordenadores intra-hospitalares de transplante (acompanhamento);

  • Cursos de capacitação para os profissionais;

  • Articulação entre as unidades de diálise e o rio transplante ;

  • Organização e implantação dos coordenadores intra-hospitalares de transplante (acompanhamento);

  • Centralizar agenda de marcação de consulta no pré-transplante;

  • Campanha de incentivo à doação de órgão ;

  • Articulação com as sociedades científicas (SATIERJ, SONERJ, etc) e ampliar essa articulação;

  • Diagnóstico situacional - reabilitação e ampliação dos centros de transplante;

  • Pactuar os procedimentos afins com a Doença Renal Crônica no plano de metas;

  • Centralizar agenda para 1ª consulta que estabeleça a entrada do paciente para lista única (cadáver).