Calcifilaxia: Patologia pouco frequente, mas, de alta mortalidade (60-80%), determinando que se tenha condições de diagnóstico precoce e intervenção precisa.

postado 05/05/2016

 


Calcifilaxia: Patologia pouco frequente, mas, de alta mortalidade (60-80%), determinando que se tenha condições de diagnóstico precoce e intervenção precisa.


Nosso objetivo é trocar conhecimentos, experiências, principalmente com relação a terapêutica, visto que há diversidade quanto a disponibilidade de recursos e muitas dúvidas sobre a conduta a ser tomada.


Esse é um caso do HC-FMUSP, apresentado pelo Dr. Precil Diego Miranda de Menezes Neves sob supervisão de Dra. Rosa Maria Affonso Moysés e Dra. Rosilene Motta Elias.


Conto com a participação de todos, especialmente de colegas que vivenciaram essa experiência angustiante e dramática. Obrigada!


 


Dra Melani Custódio


Caso Clínico


Identificação: MJG, 51 anos, gênero feminino, negra, do lar, amasiada, natural de Almadina-BA e procedente de São Paulo-SP, ensino fundamental completo.


Queixa Principal e Duração: Lesões dolorosas em membros inferiores há 3 meses


História Pregressa da Moléstia Atual: Paciente refere que há cerca de 3 meses houve surgimento espontâneo de lesões ulcerosas em membros inferiores, extremamente dolorosas, com aumento progressivo do número de lesões e acometimento posterior de membros superiores.  Há 1 mês a paciente foi internada em outro serviço, com suspeita de úlceras vasculares infectadas, tendo sido submetida a debridamento cirúrgico das lesões no membro inferior D. Fez uso de antibióticos, os quais não soube relatar os nomes, e recebeu alta hospitalar, sem apresentar melhora da dor/aspecto das lesões.


Antecedentes Mórbidos Pessoais: Hipertensão com diagnóstico há 5 anos, Doença Renal Crônica de etiologia indeterminada com início de Terapia Renal Substitutiva há 4 anos (Diálise Peritoneal). Nega tabagismo prévio ou realização de ressonância magnética recente. G3P3(N3)A0 com gestações sem intercorrências.


Antecedentes Mórbidos Familiares: Pai hipertenso e diabético com diagnóstico aos 60 anos. Mãe hipertensa com diagnóstico aos 55 anos. Irmãos hígidos.


Exame Físico Admissional:


Geral: Regular Estado Geral, hipocorada (+1/+4), hidratada, acianótica, anictérica, febril (Temp: 38,1ºC) sem linfadenomegalias palpáveis


Aparelho Respiratório e Cardiovascular: sem alterações, FC: 112bpm, PA: 130x90mmHg


Abdome: cateter de Tenckhoff locado em região para mediana esquerda. Óstio em bom estado.


Membros inferiores:


Esquerdo: Lesões crostosas de tamanhos variados.


Direito: Grande área desbridada, com exsudação esverdeada. Ruptura de tendão aquileu, sem déficits sensitivos.


Pulsos amplos bilaterais.


 


Prescrição de diálise: Diálise Peritoneal Automática, 8 h, 4 ciclos com Volume de Infusão de 1,5 l, bolsas a 2,5%. Cálcio do banho: 3,5 mEq/L


 


 


Medicamentos em uso contínuo:


Sevelamer: 2.400 mg, 3 x dia     Eritropoitina: 4.000 UI, 2 x semana   Ácido Fólico:  5 mg/dia


Complexo B: 1 cp/dia                   Anlodipino: 5 mg, 2 x dia                    Hidralazina: 50 mg, 2 x dia


Metil dopa: 500 mg, 2 x dia        Furosemida: 80 mg, 2 x dia                 Alopurinol: 100 mg/ dia


Sinvastatina: 20 mg/ dia              Omeprazol: 20 mg/ dia                      Ferro injetável: 100 mg, 1x mês


 


Exames Laboratoriais da internação da admissão:


figura


 


Fotos das Lesões


                                                MID                                                          MIE


2


 


QUESTÕES:


1- Quais são as hipóteses diagnósticas para as lesões de pele?


2- Para a investigação do quadro clínico da paciente, quais outros exames deveriam ser solicitados?


3-  Essa paciente se enquadra na população de risco  para desenvolver calcifilaxia??


4- Quais as primeiras condutas a serem tomadas??

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