Caso 111 - Paciente com esquistossomose hepatoesplênica evolui com síndrome nefrótica

postado 02/03/2016

Relatora: Dra Ana Paula Lemes Canuto

Unidade de Nefrologia – Hospital de Base de Brasília, DF


IDENTIFICAÇÃO:

Sexo feminino, 36 anos, branca, solteira, diarista


HISTÓRIA DA MOLÉSTIA ATUAL:

Paciente em seguimento na Unidade de Gastroenterologia com diagnóstico de esquistossomose hepatoesplênica, foi submetida a esplenectomia em 2007. No inicio de 2015 foi constatado proteinúria em exames de rotina, por volta de 4,0 g/dia, sem hematúria e sem alteração da função renal; foi então encaminhada ao ambulatório de Nefrologia, para avaliação e acompanhamento. A paciente referia edema de MMII desde o período da manhã, urina espumosa, negando hematúria macroscópica. Estava clinicamente bem, apetite preservado, hábito intestinal regular, negando quaisquer outros sintomas. Fazia uso dos medicamentos : losartana 100mg/dia e atenolol 50mg/dia.


ANTECEDENTES:

Esquistossomose hepatoesplênica, com esplenectomia realizada em 2007 . Tem hipertensão portal, com varizes de esôfago de fino calibre (EDA em 2014); ulcera duodenal prévia; elevações transitórias de aminotransferases; hipertensão arterial desde 2011. Nega tabagismo ou etilismo, nega alergia a medicamentos. Nega história de nefropatias em famliares.


EXAME FÍSICO:

Bom estado geral, peso 54 kg, altura 1,62 m; consciente orientada, contactuando normalmente, acianótica, afebril, anictérica, mucosas úmidas e coradas.

Aparelho cardiovascular: RCR, 2T, BNF, sem sopros ; PA 137x96 mmHg, FC 80 bpm.

Aparelho respiratório: Múrmurio vesicular presente bilateralmente, sem ruídos adventícios.

Aparelho gastrointestinal: abdome flácido, normotenso, figado não palpável, sem ascite.

Extremidades: MMII sem edemas


EXAMES COMPLEMENTARES:

Hb: 14,7, Ht: 44%, GB: 7.900, plaquetas: 406.000; glicemia 80; creatinina 0,64; clearance de creatinina 122ml/min; eletrólitos normais; exame de urina : D 1016, pH 5,5, proteinas ++++, leucócitos 3 p/campo, hemácias 2 p/campo; proteinúria de 24 hs 4,3g; albumina sérica 2,6; colesterol 480; triglicérides 174; ácido úrico 5,3; TGO 49; TGP 57; fosfatase alcalina 604; DHL 406; bilirrubinas totais e frações normais; amilase 85; sorologias virais (HBV, HCV, HIV) negativas; coagulograma normal; FAN, crioglobulinas negativos; complemento total e frações normais. Último seguimento (16/11/15) : Hb 13,4, leucócitos 8040, plaquetas 440.000, creatinina 0,80, colesterol 330, albumina sérica 2,5, urina : D 1020, proteinas +++,leucócitos 05 p/campo, hemácias 08 p/campo, proteinúria de 24 hs 5,8 g.

Fibroscan (10/03/2015) : Compatível com fibrose avançada; US de abdomen superior (01/06/2015):

Hepatopatia crônica de padrão fibrótico, compatível com esquistossomose, esplenectomia prévia;

USG renal: ecogenicidade preservada, RD: 11x7,1x7,5 cm e RE: 10x6,0x6,4 cm;

Endoscopia digestiva alta (30/07/2015) : Varizes de esôfago. Biópsia renal : a ser apresentada.


QUESTÕES ORIENTADORAS:

1) Na sua opinião, qual o diagnóstico provável obtido da biópsia renal neste caso ?

2) Como ocorre o envolvimento renal na esquistossomose hepatoesplênica ?

3) Qual seria sua conduta terapêutica neste caso ?

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