Confira a resolução do Caso 111

postado 11/04/2016

Relatora: Dra Ana Paula Lemes Canuto


Hospital de Base de Brasilia, DF


 


EXAME ANATOMOPATOLÓGICO - BIÓPSIA RENAL


Patologista : Dra. Marlene Antonia dos Reis


Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFMT), Uberaba, MG


NOME: M.A.O.  Obs. Os dados clínicos constam na solicitação da biópsia.  RECEBIDO: 16.10.2015


 


EXAME MACROSCÓPICO: Recebidos fragmentos filiformes. Dois fragmentos medindo em conjunto 14x1x1mm em Paraformaldeído para Microscopia de Luz (BR151013). Outros dois fragmentos (15x1x1mm) em "meio de transporte - Michel" para Imunofluorescência (BR151014). Uma amostra em Karnovsky e vermelho de rutênio para Microscopia Eletrônica (BR151015), a qual foi processada, emblocada em resina e arquivada no Centro de Microscopia Eletrônica da UFTM. Todos os fragmentos recebidos foram incluídos .


 


MICROSCOPIA DE LUZ : a amostra foi processada para inclusão em parafina. Foram realizados cortes seriados em vinte lâminas, de 2m de espessura e as seguintes colorações em três conjuntos de lâminas seguidas, no início, meio e final do fragmento: hematoxilina-eosina (HE), tricrômico de Masson (TM), prata metenamina (PAMS) e picro-sírius (PS). Generalidades: a biópsia atingiu especialmente a medular renal, na porção do córtex renal, há seis glomérulos. Glomérulos (Fig 1 a 4): dois glomérulos estão esclerosados. Em um glomérulo há alterações isquêmicas com irregularidades da membrana basal. Em dois glomérulos há proliferação mesangial (M1), sendo que em um deles há hipercelularidade endocapilar (E1) com diminuição da luz capilar e duplicação da membrana basal, além de aderência à cápsula de Bowman (S1). Túbulos e interstício: discretos focos com fibrose intersticial associada a atrofia tubular. Focos com infiltrado inflamatório mononuclear. Vasos: depósito hialino discreto em arteríola. Espessamento fibroelástico intimal moderado em uma artéria interlobular, há outras normais. Não há artéria arciforme para análise nesta amostra.


 


CONCLUSÃO: biópsia renal, com quadro morfológico sob as microscopias de Luz Comum     ( seis glomérulos) ,  e de Imunofluorescência ( sete glomérulos, sendo dois esclerosados) , com os seguintes comentários :  há depósitos de IgA, sendo mais intensos que IgG, acompanhados de C1q e C3, podendo ser Nefropatia por IgA, inclusive secundária, com 4/13 glomérulos esclerosados, arterioloesclerose hialina discreta e espessamento fibroelástico intimal moderado em artéria interlobular.


Apesar da falta de representatividade para a Classificação de Oxford - Roberts et al., 2009, esta citada Nafropatia por IgA  corresponderia a: M1 (hipercelularidade mesangial na maioria dos glomérulos); E1 (presença de hipercelularidade endocapilar); S1 (presença de esclerose segmentar);  não foi  possível avaliar a Fibrose intersticial e atrofia tubular (T).


1 mesmo


FIG  1 – HE, 20 X 1, 6 X


 


 


1


FIG 2 – PAMS, 40 X 1, 6 X


 


3


FIG 3 – Soro anti-IgA

+www