Confira e e opine em nosso Blog sobre caso clínico postado pelo Dr Sergio Bucharles medico do Hospital de Clinicas da UFPR e da Fundação Pro-Renal de Curitiba

postado 23/06/2017

Osteoporose na Doença renal Crônica


1) Apresentação do Caso:

Paciente senhora M.L.P. 76 anos, raça negra, aposentada, viúva, proveniente de São Paulo, residindo em Curitiba – PR. Histórico de Diabetes Mellitus de tipo II com 20 anos de evolução e há 5 anos (ano 2011) soube ser portadora de Doença Renal Crônica, tendo feito tratamento ambulatorial regular com nefrologista até o mês de Setembro do ano de 2016, quando deu início eletivo a tratamento por Diálise Peritoneal Automatizada (Cicladora), com fluido de Diálise Peritoneal contendo glicose a 1,5% e 2,5% (cada bolsa de 6 litros), fazendo 5 ciclos e com término em drenagem. Concentração de cálcio no dialisato em 2,5 meq/L.

Antecedentes Pessoais: Queixa de leves dores articulares quando exige muito das mãos (cozinhar e outros afazeres em casa). Menopausada há 28 anos, nega tabagismo e etilismo. Hipertensão arterial há 7 anos, em uso de Losartana, Atensina e Carvedilol. Em Fevereiro de 2016 sofreu fratura de fragilidade (punho esquerdo). Nunca utilizou corticóides em uso prolongado, nem alumínio e não foi no passado submetida à Tx Renal. Tem doença vascular periférica em acompanhamento clínico com uso de vasodilatadores (Cilostazol).

Antecedentes Familiares: Mãe e Pai falecidos com hipertensão arterial e diabetes mellitus. Sem antecedentes de fratura de fragilidade em outros familiares. Nega histórico de DRC na família.

Encaminhada ao Ambulatório de Distúrbios do Metabolismo Mineral e Ósseo na Doença Renal Crônica da Fundação Pró Renal para avaliação em Outubro 2016. Relatou na primeira avaliação fazer uso de Calcitriol 0,25 mcg 1 comprimido ao dia e Sevelamer 800 mg na dose de 1 comprimido VO após cada refeição.

Exame Clínico: Estado geral preservado, levemente descorada, hidratada, índice de massa corporal 27,7 (sobrepeso)

PA = 150/90 BR ausculta cardíaca e pulmonar sem particularidades, além de mínimo edema periférico bilateral.

2) Exames laboratoriais iniciais mais relevantes para o caso na primeira avaliação junto ao ambulatório de DMO - DRC:


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3) A paciente foi submetida na sequência à investigação radiológica rotineira em busca da presença de calcificação vascular, tendo como resultados:

  1. Escore de Adragão 2/8 (duas calcificações evidentes em território de artéria femoral bilateral)
  2. Densitometria Óssea, que revelou T score de -2,6 em colo de fêmur e – 1,8 na coluna lombar (L1-L4), compatíveis com osteoporose de colo de fêmur e osteopenia em coluna lombar.

Com seus antecedentes clínicos, resultados de exames laboratoriais e radiológicos iniciais, foi proposta realização de biópsia óssea, aceita pela paciente. Em Janeiro de 2017 a paciente foi submetida à biópsia óssea com uso prévio de tetraciclina (imagens em anexo) que revelou após análise histomorfométrica:

  1. Duas corticais de aspecto normal e presença de osso trabecular predominantemente lamelar
  2. Áreas de reabsorção, porém sem osteoclastos ou osteoblastos visíveis (aparente baixa atividade celular).
  3. Presença de apenas marcações simples pela tetraciclina.
  4. Diminuição de volume ósseo – traves numulares e diminuição da conectividade óssea.
  5. Osteóide com superfície, espessura e matriz aumentados.
  6. Classificação por T.M.V.: T – Diminuído, M – Anormal, V – Baixo
  7. Ausência de impregnação por ferro e alumínio

Diagnósticos Histomorfométricos:


Osteoporose + Osteomalácia


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Baseando-se nos achados para o caso, qual a proposta terapêutica que julgam os colegas serem a melhor, levando em consideração suas alterações de metabolismo mineral e ósseo e a osteoporose + osteomalácia observadas em biópsia óssea?

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