Confira em nosso Blog o artigo publicado neste mês (Clin J Am Soc Nephrol 12: 1085–1089, 2017) , que comparou a abordagem na instituição de cuidados paliativos em pacientes com e sem DRCT.

postado 17/07/2017

Confira em nosso Blog o artigo publicado neste mês (Clin J Am Soc Nephrol 12: 1085–1089, 2017)  , que comparou a abordagem na instituição de cuidados paliativos  em pacientes com e sem DRCT.


“Characteristics and Outcomes of In-Hospital Palliative Care Consultation among Patients with Renal Disease Versus Other Serious Illnesses”


Vanessa Grubbs*,†, David O’Riordan‡, Steve Pantilat‡


*Department of Medicine, Division of Nephrology and‡Department of Medicine, Palliative Care Program, Division of Hospital Medicine, University of California, San Francisco, California; and †Department of Medicine, Division of Nephrology, Priscilla Chan and Mark Zuckerberg San Francisco General Hospital, San Francisco, California


Resumo


Introdução e Objetivos: a despeito da alta taxa de morbimortalidade encontrada nos pacientes portadores de DRCT parece que estes pacientes, recebem menos cuidados paliativos do que outros pacientes com outas doenças graves. Isto pode ser parcialmente explicado, pela sensação, de que os pacientes renais, terem menos necessidade da instituição, deste tipo de abordagem.  Os autores deste artigo puderam comparar as características clínicas e desfechos de indivíduos hospitalizados, submetidos a cuidados paliativos, com e sem DRC.


Desenho do estudo: neste estudo observacional foram utilizados dados coletados do "Palliative Care Quality Network" (PCQN), um programa nacional americano colaborativo para  instituição de  cuidados paliativos. Foram avaliados  os processos de cuidados e desfechos clínicos de todos os pacientes hospitalizados que receberem consultas de cuidados paliativos entre Dezembro de 2012 a março de 2016.  Os autores compararam pacientes em que a doença renal seria a condição primaria que propiciou a consulta com pacientes portadores de outras doenças tais como: com câncer, doença cardíaca, pulmonar, hematológica, neurológica,  e outras.  Os membros do PCQN  estabeleceram escores em relação a presença de  dor, ansiedade, dispnéia , náusea estabelecendo-se uma escala de 4 pontos : nenhuma queixa (0), leve (1), moderada (2), ou severa (3).  A escala de “Palliative Performance”, uma ferramenta válida e confiável para se verificar o prognóstico como também da necessidade de cuidados especiais foi aplicada a cada paciente. O escore desta escala vai de 100%–0% baseada em 5 domínios:  deambulação,  grau de evidencia de atividade da doença,  grau de autonomia, ingesta  e nível de consciência.  Pacientes com um escore de 50% gastam mais da metade do tempo sentados ou deitados e necessitam considerável assistência. Aqueles com um escore de 30% estão completamente restritos ao leito com ingesta alimentar reduzida, e com total suporte de assistência enquanto que aqueles com 10% podem estar em coma.


Resultados: a coorte incluiu 33,183 pacientes, onde 1057 (3.2%) apresentavam doença renal como razão primária de consulta para cuidado paliativo. A média de idade foi de 71.9 (DP=16.8) e 72.8 (DP=15.2) anos para aqueles com e sem doença renal, respectivamente. Ao tempo da consulta os pacientes com doença renal ou outra doença tinham o mesmo escore na escala de Palliative Performance (36.0% vs. 34.9%, respectivamente; P=0.08) e relataram ansiedade de intensidade moderada a severa (14.9% vs. 15.3%, respectivamente; P=0.90) e náusea (5.9% vs. 5.9%, respectivamente; P>0.99). Os sintomas melhoraram similarmente, em ambos os grupos  apos a consulta e apesar do diagnóstico  (P≥0.50), exceto a ansiedade , a qual melhorou mais frequente entre aqueles com doença renal  (92.0% vs. 66.0%, respectivamente; P=0.002).  Embora tenha sido observada uma mudança no code status (indicativo para instituição de medidas de reanimação ) similar entre os grupos ( de  60% para 30% após a consulta)  menos pacientes ,com doença renal foram referenciados, para a instituição de cuidados paliativos comparados a pacientes portadores de outras doenças. (30.7% vs. 37.6%, respectivamente; P<0.001).


Discussão e Conclusões: a despeito do pobre estado funcional dos pacientes, cerca de ¾ deles receberam alta  (em ambos os grupos) vivos, porém, os pacientes portadores de doença renal foram menos referenciados para receber cuidados paliativos. Os autores levantam a hipótese em que há uma impressão generalizada (pacientes, cuidadores, profissionais) que a dialise automaticamente confere um benefício na sobrevida para todos os pacientes portadores de doença renal não havendo indicação, nesta situação, da instituição de cuidados paliativos Os pacientes hospitalizados, com doença renal e que sejam identificados para consulta especializada para instituição de cuidados paliativos merecem ser referenciados para consulta e  para inicio de cuidados paliativos por  terem necessidades similares para tratamento paliativo da mesma forma que portadores de  outras doenças graves o que poderia resultar em menor instituição de medidas potencialmente agressivas e invasivas nesta população.

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