Confira em nosso Blog o comentário sobre o trabalho brasileiro publicado recentemente na revista PloS One

postado 05/05/2017

Confira em nosso Blog o comentário sobre o trabalho brasileiro publicado recentemente na revista PloS One intitulado: The shift from high to low turnover bone disease after parathyroidectomy is associated with the progression of vascular calcification in hemodialysis patients: A 12-month follow-up study da  autoria de : Hernandes FR, Canziani ME, Barreto FC, Santos RO, Moreira VM, Rochitte CE, Carvalho AB. O Dr.  Fellype Barreto, um dos autores, comenta o estudo


Hernandes e cols. neste estudo publicado recentemente na revista PLoS ONE, demonstraram através de análise de histomorfometria óssea, biomarcadores séricos de remodelação óssea e tomografia coronariana que a mudança de um extremo da osteodistrofia renal para o outro, isto é da osteíte fibrosa severa para a doença óssea adinâmica, após a paratiroidectomia está associada, em pacientes submetidos à hemodiálise crônica, à progressão da calcificação coronariana.


Estudos prévios do mesmo grupo, assim como de outros, haviam demonstrado que tanto a doença de baixa quanto a de alta remodelação óssea, assim como o baixo volume ósseo trabecular, estão associados à calcificação vascular. Além disso, Em relação aos pacientes dialíticos portadores de hiperparatiroidismo severo, sabe-se que a paratiroidectomia está associada com uma melhora na sobrevida.  No presente estudo, Hernandes e cols. tem o métrico de demonstrar que a alteração de remodelação óssea após a paratiroidectomia pode levar a efeitos deletérios sobre o tecido ósseo, pelo desenvolvimento da doença adinâmica, e sobre o sistema cardiovascular, por consequentemente progressão da calcificação vascular, particularmente nos 12 primeiros meses após a cirurgia. Esses achados reforçam (i) a relação entre metabolismo ósseo-mineral e sistema cardiovascular e (ii) a importância de minimizar o risco de hipoparatiroidismo pós-cirúrgico. Devem, portanto, servir como guia para a escolha da técnica cirúrgica de paratiroidectomia associada a menor risco de hipoparatioidismo, isto é a PTX total com auto-implante e a subtotal; e para a condução clínica do paciente após a cirurgia. As altas doses de calcitriol e de cálcio, comumente necessárias para o tratamento da fome óssea, devem ser reduzidas progressivamente logo que possível, uma vez que particularmente no contexto da doença óssea adinâmica podem contribuir para a calcificação vascular devido à menor capacidade de tamponamento do cálcio e do fosfato pelo osso.


Em conclusão, os distúrbios ósseo e mineral na doença renal crônica são considerados um fator de risco cardiovascular potencialmente modificável. O manejo adequado dessa condição desde as fases iniciais da doença renal crônica deve ser uma preocupação constante do nefrologista. Estudos que avaliem se os pacientes que evoluem após paratiroidectomia para hipoparatiroidismo tem maior risco cardiovascular que aqueles que não evoluem são necessários.


 


Dr. Fellype Barreto


Professor Adjunto da Disciplina de Nefrologia da UFPR

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