Efeito do Lanreotide na função renal em pacientes com doença renal policística autossômica dominante: o ensaio clínico randomizado DIPAK 1

postado 11/03/2019

Autores:

Dra. Carla Alves

Nefrologista do Instituto do Rim de Londrina


Dr. Vinícius Delfino

Diretor Científico SBN


A doença renal policística autossômica dominante é caracterizada pela formação progressiva de cistos em ambos rins e perda da função renal, entretanto, atualmente, poucos tratamentos estão disponíveis para evitar o desenvolver da doença. A prevalência é de aproximadamente 3 a 4 por 10000 habitantes. Na maioria dos pacientes afetados, atinge-se o patamar de doença renal terminal, por qual a diálise ou o transplante renal é necessário, entre a quarta e sétima década de vida.


Em Novembro de 2018, foi publicado no (https://jamanetwork.com/journals/jama/article-abstract/2710504), um estudo clínico randomizado aberto com final cego, o qual avaliava o uso do Lanreotide, um análago da somatostatina, que seria capaz de inibir a produção do AMPc na célula tubular, retardando assim, a progressão da doença. Incluiu-se 309 pacientes de quatro clínicas de Nefrologia da Holanda, que possuíam entre 18 e 60 anos, com taxa de filtração glomerular estimada de 30 a 60 mL/min/1,73 m2, entre Julho de 2012 à Março de 2015, sendo acompanhados por 2,5 anos, terminando o estudo em Agosto de 2017. Os pacientes foram alocados em grupo controle, onde recebiam placebo e cuidados padronizados de controle pressórico e dietético e grupo tratamento, onde recebiam os mesmos cuidados padronizados e 120mg subcutâneo de Lanreotide mensalmente, dose esta, que poderia ser reduzida para 90 ou 60mg, caso a taxa de filtração caísse para menor que 30 mL/min/1,73 m2.


O desfecho primário do estudo baseava-se em descobrir se o seria capaz de diminuir a taxa de declínio da função renal, porém a análise demonstrou que não houve significância estatística. Foram quatro, os defechos secundários, onde não houve diferença significativa na mudança da taxa de filtração entre o pré e pós-tratamento ou na incidência de agravamento da taxa de filtração. Infecção cística hepática, foi maior no grupo que estava em uso do Lanreotide, sendo que história de infecção cística prévia, era fator de risco para o novo quadro infeccioso. Por fim, a taxa de crescimento renal foi 24% menor no grupo que estava em uso do Laretotide, porém, este efeito não foi capaz de preservar a função renal durante o seguimento. Portanto, a-se a liberação pela ANVISA do Tolvaptan. Este bloqueador do receptor V2 do ADH foi mostrado reduzir a taxa de perda da filtração glomerular e o tamanho renal em estudos publicados no NEJM em 2012 e 2017. Questões relacionadas ao preço do tratamento devem limitar seu uso no país. Extensão do período de observação dos tratados é desejável.

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