Febuxostat Therapy for Patients with stage 3 CKD and Asymptomatic Hiperuricemia: a Randomized Trial

postado 27/05/2019

Comentário para o Blog da SBN sobre o artigo - Febuxostat Therapy for Patients with stage 3 CKD and Asymptomatic Hiperuricemia: a Randomized Trial


Autores: Letíca Nicoletti Silva- médica R4 do programa de Residência em Nefrologia do Hospital Evangélico de Londrina; Vinicius Delfino


 


A hiperuricemia é causada por uma produção excessiva de ácido úrico, uma diminuição da sua excreção ou por uma combinação de ambos. Alguns estudos clínicos prévios indicam que a hiperuricemia é um fator de risco potencialmente modificável para o desenvolvimento e progressão da doença renal crônica (DRC). Não existem ainda, evidências clinicas suficientes para apoiar o uso disseminado da terapia de redução de urato para retardar a progressão da DRC.


Em Setembro de 2018 foi publicado no (https://www.ajkd.org/article/S0272-6386(18)30834-5/fulltext), um estudo clinico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo com o objetivo de testar a hipótese de que o Febuxostate  (inibidor potente da xantina-oxidase não análogo da purina) fosse superior ao placebo na redução do declínio estimado da taxa de filtração glomerular (TFG) em pacientes japoneses com DRC em estágio 3 que apresentavam hiperuricemia assintomática.


Foram selecionados 467 pacientes com DRC em estágio 3 e portadores de hiperuricemia assintomática em 55 instituições médicas no Japão no período de 7 de novembro de 2012 a 17 de janeiro de 2014.


Os participantes foram aleatoriamente distribuídos em dois grupos em uma proporção de 1:1 para receber febuxostate ou placebo por 108 semanas.


Os pacientes eram elegíveis para inscrição se tivessem 20 anos de idade ou mais, tivessem hiperuricemia (concentração de ácido úrico > 7,0 e < 10,0 mg/dl), estágio 3 de DRC e não tivessem histórico de gota. Os principais critérios de exclusão foram presença de diabetes mellitus mal controlada (hemoglobina A1c ≥ 8,4%), pressão arterial sistólica (PAS) ≥ 160 mmHg, pressão arterial diastólica (PAD) ≥ 100 mmHg, alanina ou  aspartato aminotransferase mais de duas vezes o limite superior definido na instituição, variação de ≥50% na concentração sérica de creatinina dentro de 12 semanas antes da confirmação da elegibilidade, complicações graves (por exemplo, síndrome nefrótica), terapia de hemodiálise e transplante renal.

O desfecho primário incluiu a redução (em ml/min/1,73 m2 por ano) da taxa de declínio da filtração glomerular estimada (TFGe). A conclusão foi de que o febuxostate não mostrou um efeito redutor significativo no declínio da TFGe em comparação ao placebo. O estudo sugere que a droga possa ser mais efetiva em pacientes com menos danos renais e menor taxa de proteinúria.A terapia com febuxostate previniu o desenvolvimento de artrite gotosa em pacientes com DRC e hiperuricemia assintomática e apresentou tendência em diminuir a PAD, o que está parcialmente de acordo com estudos clínicos prévios de coorte e intervenção.  O estudo apresentou limitações como por exemplo, avaliação de uma população especifica com métodos próprios de equação para calculo de taxa de filtração glomerular e exclusão de pacientes com DRC em estágio 4 e 5, o que pode ter influenciado o desfecho primário.Novos estudos clínicos aleatorizados incluindo amostras multiétnicas e com diferentes graus de redução da TFG e de proteinúria são necessários.

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