“Limited reduction in uremic solute concentrations with increased dialysis frequency and time in the Frequent Hemodialysis Network Daily Trial”

postado 26/05/2017

Confira um resumo do artigo: Limited reduction in uremic solute concentrations with increased dialysis frequency and time in the Frequent Hemodialysis Network Daily Trialrecentemente publicado  no Kidney International  (2017) 91, 1186–1192; http://dx.doi.org/10.1016/ ) por Tammy L. Siriche e cols ( Departments of Medicine, VA Palo Alto HCS and Stanford University, Palo Alto, California, USA)


INTRODUÇÃO: O estudo “ Frequent Hemodialysis Network Daily Trial “ comparou o tratamento dialítico convencional (3 x /sem)  com uma prescrição que intensificou tanto a frequência e o tempo de sessões ao longo da semana.  Após uma nos de acompanhamento foi observado efeitos favoráveis no que diz respeito à hipertrofia ventricular esquerda. HA e controle de fósforo porém, com modestos efeitos sobre  performance física e coginitiva  entre os grupos.


OBJETIVO/MÉTODOS:  o estudo aqui resumido teve por objetivo comparer as concentrações plasmáticas de solutos urêmico em amostras estocadas de 53 pacientes que receberem o esquema tradicional (3 x/sem) com uma media semanal de 10,9 horas e 30 pacientes cujo esquema era de 6 sessões/sem com um média de 14,9  horas/sem.


RESULTADOS: A análise metabolomica revelou, que nos pacientes com esquema mais intenso de HD, foi observado  uma redução de cerca de somente 15% nos níveis de 107 solutos urêmicos.   Os ensaios quantitativos confirmaram que o aumento no tempo e frequência de tratamento não reduziram significativamente os níveis de toxinas urêmicas tais como p -cresol- sulfato ou do  indoxilsulfato. O modelo de cinética sugeriu que a habilidade de reduzir as concentrações das toxinas urêmicas  (pelo aumento na frequência e duração da dialise) pode ser limitada pela presença de solutos não removíveis e/ou mudanças na produção destes solutos .


CONCLUSÃO: os autores concluem que a falha em se observar significativas reduções nas toxinas urêmicas pode,em parte,  explicar os limitados benefícios observados no aumento da frequência e tempo de duração da hemodiálise no estudo “Frequent Hemodialysis Daily Trial”.


Comentário do Blog:


No mesmo volume o editorial que comenta esta publicação escrito pelo Dr. Andrew Davenport (que esteve recentemente no Brasil no HDU em SP) que a falta de um impacto em relação a sobrevida dos indivíduos  submetidos a dialise 6 vezes por semana pode decorrer do fato que solutos urêmicos ligados a proteínas derivadas da microbioma intestinal. Apresentarem  um maior potencial de toxicidade que a própria uréia, não sendo removidas, mesmo com intensificação da intensidade da hemodiálise e uso da hemodialfiltração. Hoje se reconhece que há mais de 100 solutos no plasma de pacientes com DRC terminal e que mesmo o desenvolvimento de dialisadores com poros de maior diâmetro  (que removem a B2 microglobulina e outas moléculas de tamanho médio) ou seja a hemodiálise de alto fluxo também falhou em demonstrar  a melhora de sobrevida quando da utilização destas membranas. O estudo de Siriche e cols lança uma luz sobre estes achados já que demonstra que a não remoção de solutos urêmicos,  ligados a proteínas (não removíveis, independente do esquema e membranas de diálise)  e que  tem mostrado sua toxicidade  em estudos experimentais em células endoteliais e no sistema cardiovascular   poderem ser responsáveis pela falta de impacto em desfechos primários e secundários  em estudos como o FHN.

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