O Covid 19 e o tratamento de pacientes com Diabetes Mellitus e Hipertensão arterial sistêmica

postado 19/03/2020


Publicado no Lancet on line Lancet Respir Med 2020 Published Online March 11, 2020 

https://www.thelancet.com/journals/lanres/article/PIIS2213-2600(20)30116-8/fulltext

As informações sobre o Coronavirus 19 estão sendo divulgadas de forma muito rápida, talvez exponencial que nem o virus. O comportamento do virus está sendo melhor compreendido.

No dia 11 de março foi publicado “on line” no Lancet, este artigo que vale a pena ser lido por todos nós nefrologistas pois visa justamente o tratamento de pacientes com Diabete mélito e Hipertensão arterial sistêmica, nosso principal público.

Aqui demonstram que as comorbodiades em pacientes que não evoluiram bem foram DM, HAS, doenças cardiovasculares e cerebrais. Na Itália o uso de ibuprofeno era muito grande.

Na síndrome respiratória aguda grave o [SARS-CoV] e SARSCoV-2 ligam-se às suas células-alvo através da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2), que é expressa por células epiteliais do pulmão, intestino, rim e vasos sanguíneos. A expressão de ECA2 é substancialmente aumentada em pacientes com diabetes tipo 1 ou tipo 2, que são tratados com inibidores de ECA e bloqueadores receptores tipo II (BRAs). A hipertensão arterial também é tratada com inibidores de ECA e BRAs. A ECA2 também pode ser aumentada por thiazolidinediones e ibuprofeno. Esses dados sugerem que a expressão ECA2 é aumentada em diabetes e tratamento com inibidores ECA e BRAs. Consequentemente, o aumento da expressão da ECA2 facilitaria a infecção pelo COVID-19. Por isso, a hipótese é de que o tratamento do diabetes e da hipertensão com medicamentos estimulariam o risco de desenvolver COVID-19 grave e fatal.

Se essa hipótese for confirmada, pode levar a um conflito em relação ao tratamento, pois o ACE2 reduz a inflamação e tem sido sugerido como uma nova terapia potencial para doenças inflamatórias pulmonares, câncer, diabetes e hipertensão. Outro aspecto que deve ser investigado é a predisposição genética para um aumento do risco de infecção por SARS-CoV-2, que pode ser devido ao polimorfismo da ECA2 que foram ligados ao diabetes mellitus, derrame cerebral e hipertensão, especificamente na população asiática. Resumindo essas informações, a sensibilidade de um indivíduo pode resultar de uma combinação de terapia e polimorfismo da ECA2.


Trata-se de um informativo interessante pois demonstra caminhos novos de compreensão de efeitos de medicamentos que fazem de parte de nosso arsenal terapêutico diário.



http://www.cardiol.br/sbcinforma/2020/20200313-comunicado-coronavirus.html

  

https://www.eshonline.org/spotlights/esh-statement-on-covid-19/


 http://www.cardiol.br/sbcinforma/2020/20200313-comunicado-coronavirus.html  


https://newsroom.heart.org/news/patients-taking-ace-i-and-arbs-who-contract-covid-19-should-continue-treatment-unless-otherwise-advised-by-their-physician?utm_campaign=sciencenews19-20&utm_source=science-news&utm_medium=phd-link&utm_content=phd03-17-20

Em relação à utilização de fármacos como os inibidores de enzima conversora de angiotensina (iECA) e os bloqueadores de receptores de angiotensina (BRA) em pacientes infectados pelo COVID-19, a SBN disponibiliza os posicionamentos acima, com os quais se posiciona favoravelmente.


Cinthia Vieira


+www