Sodium thiosuphate and progression of vascular calcification in end- stage renal disease patients: a double-blind, randomized, placebo- controlled study

postado 17/02/2020

A procura de procedimentos que possam  retardar ou impedir a progressão das calcificações vasculares nos pacientes renais crônicos tem sido um desafio. Vários estudos estão sempre em andamento. Existem trabalhos com o uso de tiosulfato de sódio, sendo este o mais recente.

O tiosulfato de sódio (NaTS) é usado principalmente em pacientes em hemodialise (HD) com arteriolopatia urêmica calcificada, calcifilaxia. Este estudo duplo-cego, randomizado, controlado por placebo avaliou o efeito do NaTS na progressão das calcificações cardiovasculares em pacientes em HD.

De 65 pacientes selecionados, 60 pacientes apresentavam uma pontuação Agatston 100, de calcificação de aorta abdominal. Trinta pacientes foram randomizados para receber NaTS (25 g/1.73 m2) e 30 pacientes para receber 100 mL de cloreto de sódio a 0.9% intravenoso durante os últimos 15 min de HD por um período de 6 meses. O objetivo final era a mudança absoluta da contagem de calcificação de aorta abdominal. O resultado final demonstrou que a pontuação e o volume de calcificação da aorta abdominal aumentaram de forma semelhante em ambos os grupos. Em comparação com o grupo placebo (salino), os pacientes que receberam NaTS apresentaram redução de sua pontuação de calcificação da artéria ilíaca (p= 0,049), velocidade de onda de pulso reduzida (p= 0.000) e uma menor espessura das camadas média- íntima das carótidas (p= 0,033) além de ter melhor preservação dos parâmetros ecocardiográficos da hipertrofia ventricular esquerda.

Nenhum paciente do grupo de NaTS desenvolveu calcificações cardíacas novas de válvulas durante o estudo em comparação com 8 de 29 pacientes no grupo salino.

Por análise unvariada, a terapia NaTS foi o único preditor de não desenvolver novas calcificações valvulares. Não foram observados eventos adversos possivelmente relacionados à infusão de NaTS. Este trabalho concluiu que NaTS não conseguiu retardar a progressão da calcificação aórtico abdominal porém afetou positivamente o progresso da calcificação em artérias iíacas e válvulas cardíacas e em vários outros parâmetros funcionais cardiovasculares.

Conforme dito anteriormente a busca por compreensão completa e formas de tratamento que possam evitar ou retardar calcificações de vasos em pacientes em diálise com o aumento de mortalidade é constante. Trata-se de um artigo com mensagem promissora.

Cinthia Vieira

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